Daniel Finisterra
arquitetura
CENTRO SOCIAL DE TOUGUINHÓ
Touguinhó-Vila do Conde 2008
colaboração | Ana Rita Macedo, arq




Pretende-se a edificação de um Centro Social de prestação de serviços de Apoio Domiciliário 15 UT, Centro de Dia 20 UT, Lar de Idosos 60 UT e Creche 33 UT. NUM TOTAL DE 128 UTENTES.
A intervenção suporta-se em termos de acessibilidades a partir da rua Central, já que possui as condições de topografia, acessibilidades, infra estruturas e localização, consideradas essenciais ao desenvolvimento da proposta.
Esta configura-se a partir dos elementos existentes. A frente de terreno, área delimitada por muros e destinada a jardim, converte-se na área de acessos, com a criação de um novo arruamento que descreve um circuito com um ponto de entrada e outro de saída. Procura-se com isto introduzir áreas de paragem e aparcamento automóvel interiorizadas e que libertem ao máximo a pressão sobre a rua. Esta porção de terreno será de uso público e cedida ao município.
A construção existente ganha desta forma uma presença mais forte no sítio e assume-se como ponto de entrada. É aqui que se irão criar as áreas administrativas, de atendimento, direcção e gestão de todo o espaço.
As dependências de apoio às actividades agrícolas serão revitalizadas com áreas de permanência e lazer, para isso reconverte-se o espaço do antigo coberto e do palheiro onde se cria um espaço lúdico de leitura, biblioteca e cafetaria, para que seja um ponto de encontro e convívio entre todos os futuros utentes, pessoal administrativo, auxiliar e público em geral.
O primitivo acesso ao terreno norte, converte-se em acesso prioritariamente de serviço.
O edifício do palheiro, a eira e espigueiro, estrategicamente colocados, com exposição a sul, tornam-se na charneira entre o existente e a edificação nova que se propõem.
A intervenção nova é morfologicamente constituída por três corpos principais, um alongado no sentido do desenvolvimento do terreno e dois perpendiculares que formam dois pátios de escalas e dimensões diferenciadas, com exposição a sul.
O primeiro pátio, com um braço que surge por trás do palheiro e se fecha após o espigueiro, enquadrando-os, tem um só piso mais baixo que as construções existentes, procurando aproximar-se à sua escala apesar da sua forte implantação e volumetria.
Alberga o acesso principal ao Centro de dia e lar, a área de refeitório e a creche no corpo transversal autónomo.
O segundo pátio, acompanhando o desnível do terreno adquire mais um piso e assume a nova escala da edificação que se propõe.
Daqui se acede à creche, mas é essencialmente caracterizado pelos espaços de actividades dos idosos.
No prolongamento do piso térreo, e no braço longitudinal, localiza-se o centro de dia com as suas áreas de actividades. No piso inferior as salas de estar e actividades do lar.
Perpendicularmente e delimitando o pátio a nascente, surge o bloco dos quartos com exposição para poente e nascente. É o volume mais alto, com os pisos intercalados a meio com os restantes corpos, facilitando o seu relacionamento por intermédio de um sistema de rampas que é criado a norte no corpo longitudinal.
Este corpo, com uma cércea de três pisos assente sobre pilares e apoiando-se no terreno para sul, liberta o piso térreo, permitindo a este nível uma relação visual com o espaço a nascente, com uma vista apaziguadora sobre o vale que se vislumbra.
Este espaço é aproveitado para a criação de um pequeno auditórioao ar livre, complementado por uma área coberta, que se pretende de lazer e de realização de actividades recreativas exteriores e que tem como pano de fundo a vista sobre o terreno a nascente e o vale.