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CEMITÉRIO

Arrifana-Seia 2003

Colaboração | Sofia Santos arq

A água - fonte de vida, símbolo do movimento eterno, do retorno e da renovação - corre no pequeno ribeiro a sul, junto ao acesso. Este elemento é transposto para a nova proposta através da introdução de um novo circuito. As águas pluviais dos talhões a norte são canalizadas para um canal em cascata. Este canal articula-se com o muro mestre num espaço onde é prevista a colocação de uma mesa mortuária para as cerimónias que antecedem a inumação. O muro mestre transforma-se em aqueduto que leva esta água a descarregar num espelho de água junto ao acesso principal.

O verde a natureza define as áreas de chegada, o contacto com o ribeiro. Liberta a frente sul, destacando a capela/sala mortuária. Introduz-se nos percursos iniciais e participa de forma estruturada nos talhões e percursos.

O homem constrói o cemitério para honrar aqueles que já não convivem neste mundo. É o muro mestre que simboliza esta afirmação do homem, é o homem que o constrói recto, elevado, afirmação de vida e de capacidade empreendedora. A capela/sala mortuária é outro elemento - de índole diferente - desta afirmação do homem sobre a natureza. Foi também o homem que alterou o solo com a construção dos socalcos, e é sobre eles que será estruturado o espaço de campas e jazigos.

Os percursos fizeram-se articulados procurando os pontos de vista sobre a paisagem - mesmo os maiores eixos possuem cambiantes durante o percurso. Procura-se que o caminhar por este cemitério seja para além da penitência e do honrar dos mortos seja também uma experiência sensorial diversificada e rica.

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